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DOCES E SALGADOS

11/09/2019 07:54 por Redação

Declaração de Carlos Bolsonaro repercutiu durante todo o dia no Congresso

Publicação no Twitter questionando a "eficácia da democracia" recebeu duras críticas de parlamentares na Câmara e no Senado

Ao longo desta terça-feira (10), vários deputados usaram a tribuna da Câmara para comentar a declaração do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, que questionou a eficácia da democracia pelas redes sociais.

"Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos... e se isso acontecer. Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes!", escreveu o vereador em seu perfil no Twitter, na noite de segunda-feira.

As declarações já foram criticadas pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e foram alvo de diversos parlamentares. Quem saiu em defesa de Carlos Bolsonaro, o filho 02 do presidente Jair Bolsonaro, foi seu irmão, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o filho 03. Ele minimizou a publicação e atacou os deputados de oposição, a quem chamou de “amantes de ditaduras de esquerda”.

“O que Carlos Bolsonaro falou não tem nada demais. As coisas na democracia demoram, precisam de debate, ele falou só isso. O tempo do Congresso é diferente do tempo da sociedade”, declarou.

Críticas

O líder do PT, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), cobrou uma manifestação formal do Parlamento e dos outros poderes da República. “Não podemos aceitar que esse desprezo pela democracia, uma marca deste governo, seja tratado com naturalidade”, afirmou. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) destacou que a democracia está prevista na Constituição. “A democracia não é opção do Parlamento”, disse.

O líder do Psol, deputado Ivan Valente (SP), também disse que há uma “naturalização da barbárie” nos altos escalões da República. Para o deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ), as declarações são inadmissíveis. “Temos que rechaçar esse posicionamento medíocre e autoritário.”

Líder do PDT, o deputado André Figueiredo (CE) também afirmou que os deputados vão reagir contra o que chamou de “banalização de absurdos”. “Essas 'asneiras', se levadas a sério, podem comprometer o País”, afirmou.

Alcolumbre

Mais cedo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) também já havia rebatido Carlos Bolsonaro. “O Senado Federal, o Parlamento brasileiro, a democracia está fortalecida. As instituições todas estão pujantes, trabalhando a favor do Brasil. Então uma manifestação ou outra em relação a esse enfraquecimento tem da minha parte o meu desprezo”, afirmou Davi.

O senador disse ainda que confia na democracia, acredita nas instituições e por isso cumpre o papel dele, “tentando dar estabilidade a um país de 200 milhões de brasileiros que aguardam nossas respostas para emprego, para mais saúde e para mais educação”.

Licença

Na sexta-feira passada (6), Carlos Bolsonaro, que é vereador pelo PSC, pediu licença não remunerada da Câmara Municipal do Rio de Janeiro para “cuidar de assuntos particulares”. A comunicação foi publicada ontem no diário oficial da Casa.

Os vereadores podem pedir afastamento por licença natalina, tratamento de saúde ou para tratar de assuntos pessoais. O período máximo de licença não remunerada, nesse caso, é de 120 dias.

No ano passado, Carlos já havia ficado afastado da Câmara por cerca de quatro meses para ajudar na campanha eleitoral do pai, recorda a Folha. Ele foi eleito pela primeira vez para a Câmara Municipal carioca no ano 2000.

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