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11/05/2017 12:13 por Redação

Recuo do varejo sinaliza contração de 0,2% do PIB no segundo trimestre

Vendas do varejo devem ter nova queda em abril, indicando que o processo de estabilização do consumo ainda não se firmou

Depec-Bradesco*

As últimas divulgações de indicadores de atividade econômica têm frustrado as expectativas dos analistas de mercado, reforçando o cenário de recuperação bastante gradual da economia.  Com a surpresa negativa verificada nos dados das vendas do varejo, reduzimos nossa projeção para o PIB do segundo trimestre, para uma contração de 0,2%. Para o primeiro trimestre, no entanto, seguimos esperando crescimento de 0,7%, diante da expansão da atividade agrícola no período. Nesse sentido, as informações divulgadas hoje pela Conab mostraram novo aumento na estimativa de safra para este ano.

As vendas reais do comércio varejista restrito recuaram 1,9% entre fevereiro e março, descontados os efeitos sazonais, de acordo com a PMC divulgada hoje pelo IBGE. O resultado foi inferior à nossa projeção e à mediana das expectativas do mercado, de quedas de 0,7% e de 0,6%, respectivamente, segundo coleta realizada pela Bloomberg. Na comparação interanual, as vendas caíram 4,0% e acumulam queda de 5,3% nos últimos doze meses.  A receita nominal também apresentou desempenho negativo, com queda de 1,9% ante fevereiro, na série com ajustes sazonais.

Leia: Vendas no varejo brasileiro recuaram 1,9% entre fevereiro e março, aponta IBGE

Setorialmente, quatro dos oito segmentos pesquisados registraram queda na margem em março. A retração mais intensa, de 6,2%, foi observada em hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. Também merecem destaque as reduções nas vendas de tecidos, vestuário e calçados, de 1,0%. Por outro lado, as vendas de móveis e eletrodomésticos cresceram 6,1% no período.

O volume de vendas do comércio varejista ampliado, que também contempla os segmentos de veículos e materiais de construção, recuou 2,0% na margem, na série dessazonalizada. As vendas de veículos e motos, partes e peças apresentaram modesto declínio de 0,1%, enquanto as de material de construção cresceram 2,7% no período. Em relação a março do ano passado, a atividade do comércio ampliado contraiu 2,7%.

Esperamos que as vendas do varejo mostrem nova contração em abril, indicando que o processo de estabilização do consumo ainda não se firmou. Assim, projetamos com os dados disponíveis até o momento contração de 1,0% do indicador. Por fim, os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), que será divulgada amanhã, devem vir na mesma direção – esperamos contração na margem acima de 1%.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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