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11/05/2016 13:10 por Redação

Recuo do varejo em março sugere contração de 0,8% do PIB no primeiro trimestre

IBC-Br deve apontar leve recuo mensal de 0,1% e um acumulado negativo de 1,3% no período de janeiro a março

Depec-Bradesco*

As vendas do comércio varejista restrito recuaram 0,9% (em termos reais) na passagem de fevereiro para março, excetuados os efeitos sazonais, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada hoje pelo IBGE. A queda foi superior à nossa projeção e à mediana das expectativas do mercado, que apontavam recuos de 0,5% e 0,6%, respectivamente, de acordo com coleta da Agência Estado. Na comparação interanual, houve retração de 5,7%.

Leia: Após a alta em fevereiro, vendas no varejo brasileiro caíram 0,9% em março.

Seis dos oito segmentos pesquisados contribuíram para o desempenho negativo das vendas no período, com destaque para tecidos, vestuário e calçados, que apresentaram retração de 3,6% na margem, marcando o terceiro recuo deste ano. Além disso, hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo caíram 1,7%, mais que compensando o avanço de 0,8% observado no mês anterior. Em contrapartida, artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria mantiveram a trajetória positiva das últimas três leituras, ao crescer 0,7%.

A receita nominal do setor varejista também registrou queda na margem em março, ao recuar 0,4%. Ainda assim, o resultado não reverteu a tendência de alta verificada nos últimos meses. Quando olhamos para o crescimento semestral anualizado, a receita avançou 5,1% no período, sugerindo alguma retomada do consumo das famílias à frente.

O volume de vendas do comércio varejista ampliado, que contempla todos os setores, recuou 1,1% na margem em março, descontada a sazonalidade. A queda mais intensa que a do varejo restrito deveu-se às contrações de 0,3% e de 0,5% dos segmentos de material de construção e veículos e motos, partes e peças, nessa ordem. Especificamente em relação aos veículos, o movimento está em linha com os dados de emplacamentos da Fenabrave.

No primeiro trimestre, as vendas reais do varejo restrito acumularam queda de 3,2%, superior aos -0,4% observados nos últimos três meses de 2015. No mesmo sentido, a atividade varejista ampliada apresentou declínio de 1,9% no trimestre findo em março, ligeiramente inferior ao recuo de 2,0% exibido no quarto trimestre do ano passado. Esses números são compatíveis com a nossa projeção de retração na margem de 0,8% do PIB no período. Para os próximos meses, entretanto, esperamos redução do ritmo de contração da atividade, conforme apontam os indicadores coincidentes referentes a abril, bem como sugerido pela contínua melhora da confiança do empresariado e dos consumidores.

Dessa forma, projetamos leve recuo de 0,1% do IBC-Br em março (proxy mensal do PIB calculada pelo Banco Central), diante da alta marginal da produção industrial no período. Com isso, o indicador do BC deverá acumular variação trimestral negativa de 1,3%. Cabe ressaltar que os dados do setor de serviços, a serem divulgados amanhã na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), ainda podem alterar o nosso número.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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