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10/05/2017 12:26 por Redação

IPCA de abril confirma tendência de desaceleração disseminada da inflação

Acumulado em 12 meses continuará arrefecendo, chegando a uma variação positiva de 3,8% em maio

Depec-Bradesco*

O IPCA de abril manteve a tendência dos últimos meses, com importante desaceleração da inflação ao consumidor, ao registrar alta menor do que a verificada em março. A continuidade da descompressão do índice, considerando o acumulado em doze meses, corrobora nossa projeção de elevação de 3,7% do IPCA no final deste ano. Dessa forma, o comportamento dos preços no curto prazo também fortalece nossa expectativa de que o Banco Central optará pela intensificação do corte de juros em sua próxima reunião, caso a Reforma da Previdência continue a avançar dentro do esperado no Congresso, levando a taxa Selic a 8,0% ao final deste ano.

O IPCA subiu 0,14% em abril, segundo os dados divulgados hoje pelo IBGE. Essa variação ficou abaixo das expectativas do mercado (0,16%) e discretamente acima da nossa projeção (0,13%). Com o dado divulgado hoje, a alta acumulada em doze meses recuou de 4,57% para 4,08%, ficando abaixo do centro da meta estabelecida para o Banco Central, de 4,50%.

Leia: IPCA varia 0,14% em abril e acumula 4,08% em 12 meses.

A desaceleração ante março, quando a alta chegou a 0,25%, foi explicada pela menor pressão em três de nove grupos do índice. Destacamos a desaceleração dos preços de habitação, que caíram 1,09% (ante alta de 1,18% no mês anterior), refletindo redução temporária das tarifas de energia elétrica. Além disso, houve arrefecimento da elevação dos preços de grupos de educação e de despesas pessoais. Por outro lado, mesmo controlados e com variações baixas e inferiores à sazonalidade do período, os preços de alimentação e bebidas aceleraram de uma alta 0,34% para outra 0,58%. Vale dizer que os preços de produtos agropecuários no atacado seguem em deflação, de acordo com as últimas leituras dos IGPs, apontando para a continuidade do comportamento favorável desse grupo do IPCA nos próximos meses.

Os indicadores de núcleo de inflação continuaram desacelerando no acumulado em doze meses, sinalizando que a desinflação também tem atingido os componentes mais sensíveis à política monetária. Os preços de serviços, por exemplo, acumularam alta de 6,05% nos últimos doze meses, abaixo do avanço de 6,10% acumulado até março. A média dos núcleos apresentou alta de 0,27% em abril, ligeiramente acima da elevação de 0,22% registrada no mês anterior.

Para maio, esperamos aceleração do IPCA, para uma alta de 0,53%. Esse resultado reflete, em grande medida, a devolução do desconto dos preços de energia elétrica observado em abril. Com isso, a variação dos preços ficará próxima da sazonalidade do período. A despeito desse movimento, a desaceleração continuará espraiada entre os componentes do índice. Caso nossa expectativa se confirme, o acumulado em doze meses continuará arrefecendo, chegando a uma variação positiva de 3,8% em maio.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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