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09/10/2019 12:41 por Redação

Determinantes da dinâmica setorial

Em 2020, o crescimento dever ser liderado pelos setores mais sensíveis aos estímulos monetários e à geração de emprego formal

Priscila Trigo, Constantin Jancsó*

A economia brasileira vem se recuperando. Mas a retomada do ponto de vista setorial tem acontecido em ritmo distinto, refletindo as diferenças de comportamento entre demanda interna e externa, a forma como consumo e investimentos reagem à política monetária, entre outros vetores.

Diante da desaceleração global, da queda de juros e da melhora do mercado de trabalho, em 2020, o crescimento dever ser liderado pelos setores mais sensíveis aos estímulos monetários e à geração de emprego formal. Entre os mais favorecidos, encontramos a indústria em geral – em especial de bens duráveis –, o varejo de veículos e de produtos de informática, e os serviços prestados às famílias e serviços profissionais.

Desaceleração da economia global tende a limitar a retomada da indústria. Os setores industriais, em especial os exportadores, são os mais afetados pela dinâmica global. Apesar de a economia brasileira ser relativamente fechada, os ciclos de crescimento guardam correlação com a economia mundial.

Apreciação da taxa de câmbio deverá favorecer setores importadores. O desempenho setorial também é sensível ao câmbio real. A depreciação da moeda brasileira beneficia os exportadores, ampliando os preços de seus produtos em reais, e encarece os produtos importados, aumentando os custos com esses insumos ou bens finais.

Política fiscal continuará restritiva ao crescimento. No mercado doméstico, o governo central foi um importante determinante do desempenho setorial. Há vários canais de transmissão, desde a redução de tributos e impostos, ampliação de gastos públicos para infraestrutura ou transferência de renda e até mesmo programas de fomento a emprego e financiamento com taxas subsidiadas. Nos últimos anos, o indispensável ajuste das contas públicas tem limitado o crescimento do gasto público.

Queda da taxa de juros deve beneficiar especialmente setores de bens duráveis e de capital. Os setores de bens duráveis e de bens de capital estão entre os mais impactados pela dinâmica da política monetária. A oferta de financiamento de longo prazo parece ser particularmente relevante para as indústrias de veículos, madeira, metalurgia e máquinas e equipamentos. No varejo, se destacam bens ligados à crédito.

Mercado de trabalho em recuperação será positivo para consumo das famílias, de bens e serviços. O consumo das famílias é especialmente dependente da dinâmica da massa salarial. Seja através da ocupação ou de ganhos de renda, aumentos de massa salarial devem levar à expansão do consumo de bens e serviços, anteriormente restritos no orçamento familiar.

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* Priscila Trigo e Constantin Jancsó são economistas do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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