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DOCES E SALGADOS

09/10/2019 07:23 por Redação

Presidente da Petrobras nega desmonte da empresa na Bahia

Em audiência pública da Comissão de Minas e Energia da Câmara, porém, Roberto Castello Branco confirmou a venda de ativos no estado

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse nesta terça-feira (8) aos deputados da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados que a estatal vai vender ativos na Bahia “como parte da estratégia nacional de concentrar esforços na exploração de petróleo, especialmente no pré-sal”. Ele disse que a Bahia tem 2.980 poços que respondem apenas por 1% da produção da empresa.

Esse seria um dos motivos para a venda de um prédio em Salvador, a Torre de Pituba, que, segundo Castello Branco, tem 22 andares, mas apenas 5 estariam ocupados pela Petrobras. O prédio foi construído em parceria com o fundo de pensão Petros e é a sede administrativa da estatal no estado.

Desemprego - Segundo o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), a Petrobras vem sendo vendida aos poucos e isso tem gerado desemprego e perda de soberania. “A gente vê que essa redução de investimentos provocou desde 2016 até hoje a perda de 2,5 milhões de empregos no Brasil. A Bahia foi informada de que 2.500 terceirizados da Petrobras serão demitidos até o final do ano. E 1.500 funcionários efetivos que trabalham na sede, a Torre Pituba, serão transferidos para outros estados”.

Em setembro, trabalhadores da empresa realizaram um ato em frente à Torre Pituba contra a saída da Petrobras da Bahia e em defesa do fundo de pensão dos petroleiros. A ação, no dia 16, ocorreu após ser divulgada a notícia da desocupação do edifício e a transferência de trabalhadores diretos da estatal, além da rescisão de contrato dos terceirizados. Uma semana antes, a Petrobras havia oficializado um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV) específico para os trabalhadores lotados nas unidades que estão à venda ou serão fechadas.

“Não vamos privatizar” - Castello Branco disse, entretanto, que não há intenção de privatizar a Petrobras. Segundo ele, há o objetivo de vender 8 refinarias e 183 poços situados em terra e em águas rasas, além de fechar escritórios no exterior. Em julho, foi vendido o controle da BR Distribuidora.

“Gostaria de deixar claro que não há nenhum desmonte, nenhum fechamento da Petrobras no Nordeste, onde vamos continuar buscando a exploração em águas profundas”, disse o presidente da estatal, argumentando que a venda de ativos "pode fomentar o surgimento de novas empresas que, seguramente, absorverão mão-de-obra".

O presidente da Petrobras criticou ainda os investimentos feitos pelos governos do PT, citando a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. “Claramente se jogou dinheiro fora, a refinaria mais cara do mundo”. A deputada Lídice da Mata (PSB-BA), sustentou que os governos anteriores investiram na exploração do pré-sal, elevando o valor da Petrobras de R$ 54 bilhões em 2002 para R$ 210 bilhões em 2016.

Castello Branco afirmou que a empresa tem uma dívida de US$ 101 bilhões, o que é três vezes o faturamento anual. O foco da empresa em setores prioritários, segundo ele, pode aumentar o lucro e aproximar a estatal novamente da melhor classificação de risco, o grau de investimento.

Ele também causou reação de deputados da oposição ao dizer que considera a mineração uma "vocação natural" da Amazônia.

Em defesa da atual gestão da companhia, o deputado Coronel Armando (PSL-SC) disse que o governo não tem condições fiscais de fazer os investimentos necessários no setor de petróleo e que os trabalhadores da Petrobras eventualmente desligados da empresa “devem buscar o empreendedorismo para se recolocar no mercado”.

Com Agência Câmara

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