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09/08/2019 08:25 por Redação

Aumento da taxa de dependência será desafio adicional para economias emergentes

No caso brasileiro, isso deverá começar a ocorrer entre 2025 e 2031

Leandro Negrão, Thomas Henrique Schreurs Pires, Constantin Jancso*

As taxas de juros das economias desenvolvidas reduziram-se de forma consistente nos últimos anos. Diversos vetores estão sendo responsáveis por esse movimento, dentre os quais a demografia. A evolução da estrutura populacional de um país tende a gerar impacto relevante sobre a dinâmica de diversos indicadores econômicos, podendo afetar, inclusive, a eficácia da política monetária. Essa interação entre taxa de poupança e juros estruturais foi um dos temas levantados pelo Copom em sua última ata.

Inúmeros estudos sugerem que o envelhecimento populacional pode resultar em aumento da taxa de poupança das famílias e redução do crescimento potencial. Esse tema tem sido muito debatido nos países desenvolvidos, por conta da mudança de composição da pirâmide etária, e será um assunto relevante também para as economias emergentes nos próximos anos. Para explorar um pouco mais esse tema, adaptamos alguns estudos das economias desenvolvidas para um grupo de países emergentes. O objetivo é analisar o impacto da razão de dependência sobre variáveis de curto e longo prazos dessas economias.

As economias emergentes apresentam uma situação diferente das desenvolvidas – algumas, inclusive, ainda colhem os benefícios do bônus demográfico. Considerando a taxa média de dependência de todos os países que compõem esse grupo de emergentes, pode-se concluir que a materialização dessa preocupação deve demorar bastante – a razão de dependência só começa a aumentar a partir de 2040. Contudo, quando reduzimos essa análise para um grupo menor de países que selecionamos6 para a análise (que inclui o Brasil), conclui-se que esse debate não está tão distante: para esse grupo, a razão de dependência já começou a aumentar desde 2010-2015. No caso brasileiro, isso deverá começar a ocorrer entre 2025 e 2030.

Analisando o caso brasileiro, a razão de dependência só atingirá o patamar atual das economias desenvolvidas em 2040. Esse debate ainda é muito antecipado para o Brasil. Por outro lado, a velocidade do envelhecimento populacional no país tende a ser maior do que a média das economias emergentes, o que pode acelerar alguns dos efeitos de longo prazo. Essa constatação apenas reforça a importância de reformas estruturais que possam compensar, através do aumento da produtividade, os efeitos da demografia sobre o crescimento.

Por exemplo, utilizando o ranking Doing Business (facilidade de fazer negócios) do Banco Mundial como referência, o Brasil está abaixo da média dos países emergentes em diversas categorias. Se compararmos com o primeiro quartil desse grupo, a distância é ainda maior. Dessa forma, a correção das fragilidades, através de uma agenda consistente de reformas – que inclua a melhoria do ambiente de negócios, simplificação tributária, abertura comercial, avanços na infraestrutura, entre outras – pode facilmente elevar a produtividade e mais do que compensar esse efeito baixista da demografia sobre o nosso PIB potencial. Além disso, se bem executada, essa agenda de reformas produzirá efeitos muito mais rápidos sobre o PIB potencial (e o próprio PIB efetivo) do que os efeitos de longo prazo da demografia.

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 * Leandro Negrão, Thomas Henrique Schreurs Pires e Constantin Jancso são economistas do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco

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