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09/03/2016 12:33 por Redação

IPCA menor do que o esperado refletiu surpresa baixista com alimentação

Expectativa para os próximos meses é de nova desaceleração da inflação, que poderá fechar o ano com variação de 6,90%

Depec-Bradesco*

O IPCA registrou alta de 0,90% em fevereiro, segundo os dados divulgados hoje pelo IBGE. O resultado ficou abaixo da nossa projeção e da mediana das expectativas do mercado, que apontavam altas de 0,98% e 1,00%, respectivamente, de acordo com coleta da Bloomberg. A surpresa em relação ao nosso número decorreu do avanço menor que o esperado do grupo alimentação. Assim, o índice desacelerou em relação à leitura de janeiro, quando cresceu 1,27%. Como resultado, o IPCA acumulou elevação de 10,36% nos últimos doze meses, abaixo dos 10,71% registrados no primeiro mês deste ano. Entretanto, o indicador ainda se situa bastante acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central, de 6,50%.

Leia: Após o avanço em janeiro, IPCA recua para 0,90% em fevereiro.

Quatro dos nove grupos que compõem o índice apresentaram menor expansão na comparação com o mês anterior, com destaque para a alimentação, cuja alta oscilou de 2,28% para 1,06% no período. Vale destacar que, em janeiro, esse grupo havia surpreendido para cima. Habitação também registrou menor variação, ao passar de uma elevação de 0,81% para uma deflação de 0,15%. No sentido oposto, Educação ficou mais pressionada, ao mostrar avanço de 5,90%, ante 0,31% registrado anteriormente, refletindo o reajuste das mensalidades escolares.

A maioria dos indicadores de inflação subjacente desaceleraram em relação a janeiro, ainda que em menor magnitude que a verificada no IPCA cheio. O índice de difusão, por exemplo, recuou de 77,48% para 77,21%. A média dos núcleos também apresentou ligeira melhora, indo de 0,82% para 0,81%. Em contrapartida, a inflação do setor de serviços acelerou 0,37 p.p., ao subir 1,04% em fevereiro, também influenciada pelo reajuste das mensalidades escolares.

Para os próximos meses, esperamos nova desaceleração do IPCA, com continuidade das menores altas dos preços de alimentação. Diante disso, estimamos que o indicador encerrará 2016 com avanço de 6,90%, mantendo-se acima do limite superior da meta.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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