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08/11/2019 11:57 por Redação

PIB deve acelerar para 2,2% com Selic a 4,25% em 2020

Principais revisões para o próximio ano apontam para maior crescimento, menos inflação e redução adicional de juros

Depec-Bradesco*

No último mês, o cenário econômico foi marcado pela melhora das percepções em relação ao Brasil, em um contexto de redução dos riscos prospectivos ao cenário global e aprovação da reforma da Previdência. O CDS atingiu as mínimas históricas, compatível com o período em que o país era grau de investimento. Esse quadro tende a se manter com avanços adicionais na agenda estrutural, gerando impactos positivos em termos de condições financeiras. Sob esse contexto, atualizamos nosso cenário. As principais revisões estão relacionadas a 2020, com maior crescimento, menos inflação e redução adicional de juros.

Em relação à atividade econômica, calibramos nossa expectativa para o crescimento do PIB deste ano, de 0,8% para 0,9%. Essa ligeira mudança é reflexo dos dados correntes, que mostram uma recuperação moderada, mas consistente da atividade econômica. Para 2020, revisamos nossa projeção de crescimento, de 1,9% para 2,2%. Essa revisão é compatível com a melhora adicional que esperamos para as condições financeiras domésticas. Adicionalmente, também incorporamos a melhora do balanço de riscos prospectivos no cenário global.

Apesar da melhora dos indicadores de atividade na margem, a ociosidade da economia permanece elevada e a recuperação da economia não deve gerar pressões inflacionárias nos próximos trimestres. Ajustamos o IPCA de 2019 de 3,1% para 3,2% e o de 2020 de 3,7% para 3,6%. Entendemos que o quadro de inflação baixa e expectativas ancoradas tende a prevalecer, levando o BC a fazer um ajuste adicional de 25 b.p. em fevereiro, para 4,25%, patamar que deve se manter ao longo de todo o ano.

Abrandamento dos riscos no cenário externo impactou os preços de ativos

O cenário externo tem sido marcado nos últimos meses pela desaceleração da atividade global, além de elevada incerteza e ampla volatilidade. Diferentemente do ocorrido em outros episódios de desaceleração, a atual tem como principal causa as decisões de política externa dos EUA. As tensões comerciais com a China e outros países afetam a confiança e o processo decisório dos agentes econômicos. Esse vetor de risco acabou por gerar consequências econômicas relevantes, como a queda nas exportações globais e a redução no ritmo de expansão dos investimentos e da indústria. Nesse contexto, ganham destaque os avanços na direção de um acordo comercial entre China e EUA, que acabou gerando significativa elevação do apetite por risco nos mercados globais.

No que diz respeito à economia norte-americana, os últimos dados mostraram a resiliência do mercado de trabalho e do consumo das famílias. O PIB do terceiro trimestre cresceu 1,9% na margem, surpreendendo positivamente. O consumo das famílias impulsionou a economia, subindo 2,9%, com destaque para o crescimento de bens duráveis. O mercado de trabalho tem mostrado criação de vagas oscilando em torno de 180 mil, contra 150 mil de alguns meses atrás. Verificou-se também aceleração do crescimento da massa de salários, o que favorece a continuidade da trajetória de curto prazo do consumo das famílias. Assim, fizemos pequena calibragem na projeção de 2020, de 1,6% para 1,7%.

Em resumo, a intensidade da desaceleração global se abrandou nesse último mês, ainda que tenha persistido. Porém, a redução da probabilidade de recessão na economia norte-americana e os avanços do acordo comercial entre EUA e China deixam o balanço de riscos mais simétrico para o nosso cenário de crescimento do PIB global em 2020, de 2,8%.

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* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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