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DOCES E SALGADOS

08/11/2019 07:53 por Redação

Brasil rompe tradição e apoia embargo norte-americano a Cuba

Em votação na ONU, 187 países condenaram o bloqueio; diplomacia brasileira, após 27 anos, votou a favor, ao lado dos EUA e de Israel

O Brasil votou nesta quinta-feira (7) a favor da manutenção do embargo econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos a Cuba. A votação, que ocorreu por meio de painel eletrônico durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, foi sobre projeto de resolução apresentado por Cuba condenando o embargo inerte-americano, imposto em 1962 e transformado em lei pelo Congresso americano em 1992.

Com isso, em nome de um alinhamento incondicional a Washington, a diplomacia brasileira rompe uma posição adotada há 27 anos. Desde 1992, a Assembleia Geral vem aprovando, por ampla maioria, uma resolução que pede o fim do embargo.

Em 2018, o texto foi aprovado por 189 votos a favor, com votos contrários apenas dos Estados Unidos e Israel, sem nenhuma abstenção. Ontem, 187 países condenaram o embargo. Brasil, EUA e Israel ficaram isolados na questão. Dois países – Colômbia e Ucrânia - se abstiveram.

Danos humanitários

Presente à sessão, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, relatou que nos últimos meses Washington começou a "aumentar a agressão", inclusive impedindo o transporte internacional de combustível para a ilha, diminuindo os serviços consulares e atacando programas nacionais que apoiam outros países em desenvolvimento.

“O bloqueio causa danos humanitários incalculáveis. É uma violação flagrante, maciça e sistemática dos direitos humanos”, acusou. “É considerado um ato de genocídio nos termos dos artigos II (b) e (c) da Convenção para Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, adotada em 1948. Não há uma única família cubana que não tenha sofrido as consequências do embargo."

A votação foi precedida de apresentações, que começaram na terça-feira, relata a ONU News. A Palestina, falando em nome do bloco dos países em desenvolvimento, o Grupo dos 77 e a China, lamentou que os EUA tenham reforçado o embargo.

"De abril de 2018 a março deste ano, o impacto do embargo dos EUA ao comércio exterior de Cuba é de mais de US$ 4 bilhões", disse o embaixador Riyad Mansour. “O investimento estrangeiro limitado e o difícil acesso a créditos para o desenvolvimento se traduzem diretamente em dificuldades econômicas e impactos humanitários para o povo de Cuba. As reformas socioeconômicas do país também foram prejudicadas pelo embargo”.

Caribe

Os 15 membros da Comunidade do Caribe (CARICOM) destacaram o apoio de Havana à região. Cuba enviou profissionais médicos para áreas em dificuldades, incluindo aquelas afetadas por desastres naturais, entre outras iniciativas.

Keisha McGuire, embaixadora de Granada na ONU, lembrou que o país foi um dos primeiros a ajudar as Bahamas após o furacão Dorian, em setembro. Ela caracterizou o embargo como "um anacronismo e aberração" em uma época em que a cooperação global é crítica para enfrentar desafios comuns, como as mudanças climáticas.

"É nesse contexto mais amplo que vemos o embargo - não apenas como um ato punitivo contra Cuba, mas como um impedimento ao desenvolvimento regional do Caribe como um todo", disse ela à Assembleia Geral.

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