Home > ARTIGOS > Consumo das famílias deverá ser moderado em 2018

ARTIGOS

07/06/2018 11:11 por Redação

Consumo das famílias deverá ser moderado em 2018

Depec-Bradesco*

O consumo das famílias deverá ser moderado neste ano, apesar de existirem fundamentos para uma trajetória ascendente de crescimento. Os dados recentes do PIB do primeiro trimestre de 2018 apontaram para uma elevação do consumo das famílias inferior ao que era esperado inicialmente, revertendo, em parte, a expectativa do início do ano.

De fato, as surpresas recentes têm criado a percepção de que o consumo das famílias apresentará um crescimento mais moderado: desde meados do ano passado, e devido a fatores de curto e médio prazos, o consumo mostrou um desempenho favorável. Vimos a liberação dos recursos do FGTS e do PIS/Pasep; a queda do endividamento das famílias; a diminuição da poupança precaucional; o aumento de renda proporcionado pela queda da inflação e uma melhora no emprego, especialmente no setor informal. Em nossa avaliação, isso pode ter gerado uma percepção de crescimento mais forte do que a tendência dos dados sugeriria, e que está sendo revisada mais recentemente: o nível da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) restrita, que exclui vendas de automóveis e de materiais de construção, apresenta expansão moderada desde a segunda metade do ano passado.

Apesar da frustração com o desempenho corrente da atividade econômica, entendemos que há importantes vetores que sugerem crescimento à frente, especialmente em função da queda da taxa Selic. Destacamos os seguintes fundamentos: i) o setor de bens duráveis razoavelmente aquecido, em especial os emplacamentos de veículos leves, que voltaram a subir recentemente; ii) aumento da concessão de crédito para pessoa física, bem como a tendência de queda dos juros ao tomador final, potencializando o poder de compra das famílias; iii) recuo importante da inadimplência; e iv) o movimento de desalavancagem das famílias.

Contudo, o consumo das famílias neste ano deve crescer menos do que se esperava e isso é devido a uma desaceleração da renda e da ocupação, comparativamente a 2017. De fato, os níveis de ocupação e a população economicamente ativa (PEA) vêm recuando, enquanto a taxa de desemprego se estabilizou nos últimos meses, com queda aquém do esperado para este momento de retomada da atividade econômica. Essa dinâmica menos positiva do mercado de trabalho tende a diminuir o impulso ao consumo e a incentivar, ainda que marginalmente, a poupança. Em relação à renda real, os indicadores deste ano apontam para uma desaceleração, quando comparados ao observado ao longo do ano passado, uma vez que as surpresas desinflacionárias são menores e os reajustes salariais partem de um patamar de inflação abaixo de 3,0%. E, conjunturalmente, a renda disponível das famílias poderá sofrer algum efeito da depreciação cambial, de R$/US$ 3,20 para R$/US$ 3,70 nos últimos meses.

Os dados de consumo no PIB do primeiro trimestre ficaram aquém do esperado. Apesar da alta de 0,5% observada na comparação trimestral, o ritmo de recuperação do consumo das famílias ficou abaixo da nossa expectativa. De fato, em um ambiente no qual persistem incertezas a respeito da agenda de reformas, em que ainda há ociosidade na economia e diante da depreciação cambial recente, os investimentos devem apresentar estabilidade ou até recuo nesta metade do ano, o que significa que o consumo das famílias é o único vetor para o PIB, ainda que gradual.

Outros indicadores que corroboram a expectativa de que o consumo das famílias deverá ser moderado em 2018 são os níveis de confiança do consumidor, divulgados recentemente pela FGV. Apesar do elevado patamar, nota-se algum arrefecimento recente devido à elevada preocupação com o desemprego. Dessa forma, esperamos que o consumo das famílias siga uma tendência moderada de crescimento ao longo do ano, com uma elevação entre 0,5% e 1,0% no segundo trimestre.

Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

'
Enviando