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07/04/2017 11:22 por Redação

Resultado do IPCA de março aproximou a inflação da meta do BC

Caso as expectativas se confirmem, o acumulado em doze meses será inferior à meta de inflação de 4,5%

Depec-Bradesco*

Sem grandes novidades, o resultado do IPCA de março apresentou variação menor do que a observada fevereiro. Além disso, mostrou continuidade de desaceleração da inflação no acumulado em doze meses, corroborando nossa projeção de elevação de 3,9% do IPCA no final deste ano. A descompressão dos preços segue generalizada dentre seus componentes, que registraram variações inferiores às sugeridas pela sazonalidade no período. Dessa forma, o comportamento dos preços no curto prazo também fortalece nossa expectativa de continuidade de flexibilização da política monetária, que deverá levar a taxa Selic a 8,5% ao final deste ano.

Leia: IPCA varia 0,25% em março e acumula 4,57% em 12 meses.

O IPCA registrou alta de 0,25%, segundo os dados divulgados hoje pelo IBGE. O resultado ficou em linha com a mediana das expectativas do mercado (0,25%) e ligeiramente acima da nossa projeção (0,23%). Este resultado representou a menor elevação do índice em março desde 2012. Em relação ao nosso número, as surpresas se concentraram em alimentação fora do domicílio e despesas pessoais. Com o dado divulgado hoje, o IPCA acumula alta de 4,57%, bastante próxima da meta estipulada pelo Banco Central (4,50%). Além disso, desacelerou em relação ao acumulado no mês anterior (4,76%).

A desaceleração ante fevereiro (0,33%)  foi explicada pela menor pressão em quatro de seus nove grupos. Destacamos a desaceleração dos preços de educação, que subiram 0,95%, (ante alta de 5,04% no mês anterior), diante da dissipação do efeito dos reajustes de mensalidades escolares. Além disso, três grupos apresentaram deflação no período. Apesar do movimento dos preços de alimentação e bebidas, que subiram 0,34% em março, após queda de 0,45% em fevereiro, as variações permaneceram abaixo da sazonalidade. Ademais, os preços de alimentação no domicílio seguiram no campo negativo. Além disso, a intensificação da deflação dos preços de alimentos no atacado, de acordo com as últimas leituras dos IGPs, apontam para a continuidade do comportamento benigno desse grupo do IPCA.

Os indicadores de inflação subjacente continuaram desacelerando no acumulado em doze meses, sinalizando que a desinflação também tem atingido os componentes mais sensíveis à política monetária. Os preços de serviços subjacentes, por exemplo, acumularam alta de 5,29% nos últimos doze meses, abaixo da expansão acumulada de 5,42% em fevereiro. Na margem, a média dos núcleos apresentou alta de 0,27% em março, abaixo da elevação anterior de 0,42%.

Para abril, esperamos nova desaceleração do IPCA, para cerca de 0,15%, a despeito do efeito de alta dos preços de energia após o decreto de bandeira vermelha para este mês. A variação dos preços continuará abaixo da sazonalidade do período e a desaceleração deverá seguir espraiada entre os componentes do índice. Caso nossa expectativa se confirme, o acumulado em doze meses será inferior à meta de inflação de 4,5%.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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