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07/02/2020 08:37 por Advillage

Rondônia manda recolher livros "inadequados" das escolas, mas depois recua

Lista de censura inclui clássicos de Machado de Assis, Mário de Andrade, Nélson Rodrigues e até Kafka e Edgar Allan Poe

Um documento da Secretaria de Educação de Rondônia (Seduc) determinou nesta quinta-feira (6) o recolhimento de 43 livros brasileiros e estrangeiros nas bibliotecas das escolas estaduais, entre os quais clássicos como "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, "Macunaíma", de Mário de Andrade, e "Os Sertões", de Euclides da Cunha.

A lista inclui ainda obras de Rubem Fonseca, Carlos Heitor Cony e Nelson Rodrigues. Dois clássicos da literatura internacional também aparecem: Franz Kafka, com "O castelo", e Edgar Allan Poe, com "Contos de terror, de mistério e de morte".

O documento estava em nome do secretário de educação, Suamy Vivenacanda Lacerda de Abreu, mas a assinatura eletrônica no sistema, com horário de 11h01, era da diretora de educação do órgão, Irany de Oliveira Lima Morais, terceira na hierarquia da secretaria. Os documentos oficiais do governo do estado são digitalizados e publicados no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), cujo acesso é parcialmente restrito a usuários cadastrados.

RONDONIA LIVROS
Professores que falaram com a reportagem do Estadão na condição de anonimato para evitar represálias disseram que os livros já haviam sido colocados em caixas para serem recolhidos, a pedido das coordenadorias de educação. "O governo aqui é diretamente ligado à ideia do presidente Bolsonaro, só se fala em militarização das escolas”, comentou um docente.

O secretário Lacerda de Abreu confirmou ao portal G1 a existência do documento. Disse tratar-se de um "rascunho" feito por "técnicos" que não chegou a ser expedido. Afirmou ainda não concordar com o teor do memorando e que os livros listados não serão recolhidos. O trabalho dos técnicos, segundo o secretário, começou porque havia uma denúncia de que os livros “continham palavrões”.

Leia nota da secretaria aqui.

O governador de Rondônia é o coronel reformado da PM Marcos Rocha (PSL), que até o momento não se pronunciou publicamente sobre o assunto.

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