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05/12/2018 12:23 por Redação

Demanda doméstica deve manter o setor siderúrgico aquecido em 2019

Mariana Silva de Freitas*

Após um período prolongado de declínio, a atividade do setor siderúrgico brasileiro vem mostrando uma tendência consistente de recuperação. No ano passado, a produção de aço bruto cresceu aproximadamente 10%, após cinco anos de contração, o que possibilitou reduzir a capacidade ociosa do setor para patamares mais próximos da média histórica. Em 2018, o volume produzido foi afetado pela greve no setor de transportes em maio e pela intensidade da recuperação da atividade doméstica, que se mostrou, ao longo do ano, mais modesta do que o esperado. Ainda assim, a produção acumula alta de 2,6%, com recuperação, ainda que gradual, do consumo de produtos siderúrgicos.

Em 2019, enquanto o ambiente externo coloca desafios importantes para o setor, a aceleração esperada do crescimento doméstico deve impulsionar a demanda por produtos siderúrgicos. Projetamos expansão real de 2,8% do PIB no próximo ano, o que é compatível com um cenário de recuperação dos investimentos, em meio ao avanço da agenda de reformas.

No que se refere à demanda externa, o cenário é mais desafiador. Destacamos dois vetores negativos: (i) a imposição de cotas de exportação pelo governo dos Estados Unidos ao aço brasileiro, desde junho deste ano; e (ii) a perspectiva de recessão na economia argentina. Além disso, a desaceleração do crescimento mundial e a moeda brasileira, em nível mais estável, podem impactar as exportações do setor.

Até o momento, é difícil avaliar os efeitos já concretizados das medidas protecionistas sobre as exportações brasileiras. Os dados da Funcex mostraram grande volatilidade nos meses que se seguiram às negociações. Em alguma medida, os agentes podem ter antecipado os embarques aos EUA em meio às incertezas em torno dos acordos, o que levou a um aumento atípico das exportações em junho – além da normalização das condições de logística após a greve no setor de transportes. Além disso, a exclusão do Brasil da sobretaxação de 25,0% pode ter contribuído para esse movimento, com aumento dos embarques enquanto as cotas não são atingidas. Ademais, é necessário acompanhar o comportamento das vendas externas nos próximos meses, para captar os possíveis efeitos das cotas sobre a indústria siderúrgica.

Por fim, destacamos os riscos oriundos da desaceleração da economia argentina. Embora não seja o principal comprador do aço brasileiro – as exportações de produtos siderúrgicos à Argentina representam cerca de  10% do total –, os efeitos indiretos, via demanda da indústria automobilística, tendem a ser mais notáveis. Cerca de 20% da produção brasileira de automóveis é voltada para atender a demanda argentina.

Em suma, ainda que permaneçam riscos no cenário global, acreditamos que a demanda doméstica deve manter o setor siderúrgico aquecido no próximo ano. Em uma conjuntura de retomada do crescimento econômico, com recuperação dos investimentos e do consumo das famílias, o setor deve ser notavelmente favorecido. Contudo, é importante ressaltar que nosso cenário macroeconômico é dependente da execução da agenda de reformas relevantes para o país avançar, permitindo a manutenção de condições financeiras favoráveis e de menor risco.

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* Mariana Silva de Freitas é economista do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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