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05/11/2019 11:36 por Advillage

Brasil registra queda na liberdade na internet em 2019

Segundo relatório de ONG americana, ascensão de Bolsonaro foi fator decisivo para o aumento da desinformação no país

Os governos ao redor do mundo recorrem cada vez mais às redes sociais para manipular eleições e monitorar seus cidadãos, uma tendência preocupante para a democracia, alerta um relatório publicado nesta terça-feira (5) pela ONG americana Freedom House. O Brasil está entre os três países que registraram queda mais expressiva na liberdade na internet. A eleição de Jair Bolsonaro é apontada como um fator decisivo para o aumento da desinformação no país, relata a Rádio França Internacional.

A liberdade online registrou queda em 33 dos 65 países examinados, de acordo com a Freedom House. No último ano, as quedas mais expressivas aconteceram no Sudão e no Cazaquistão, seguidos por Brasil, Bangladesh e Zimbábue.

“A vitória de Jair Bolsonaro na eleição presidencial de outubro de 2018 foi um momento decisivo para interferência eleitoral digital no país. Não identificado os atores montaram ataques cibernéticos contra jornalistas, entidades governamentais e usuários politicamente engajados; a manipulação da mídia atingiu novos patamares. Apoiadores de Bolsonaro e sua coalizão de extrema direita ‘Brasil acima de tudo, Deus acima de todos’ espalharam rumores homofóbicos, notícias enganosas e imagens falsas no YouTube e WhatsApp. Uma vez no cargo, Bolsonaro contratou consultores de comunicação que lideraram a sofisticada campanha de desinformação”, denuncia o relatório.

O Brasil obteve 64 pontos em 100, contra 69 em 2018, e é considerado "parcialmente livre" pela ONG. Coreia do Sul, Angola, Nigéria e Tunísia têm a mesma pontuação do Brasil.

Desinformação ameaça a democracia

A ONG americana destaca evidências de "programas avançados de vigilância nas redes sociais" em pelo menos 40 de 65 países examinados. O relatório afirma que a liberdade na internet registrou queda pelo nono ano consecutivo. Em alguns países, as autoridades simplesmente eliminam o acesso à rede, enquanto outros Estados usam exércitos de propaganda para distorcer informações nas plataformas sociais.

"Muitos governos estão descobrindo que nas redes sociais a propaganda funciona melhor que a censura", disse Mike Abramowitz, presidente da Freedom House. "Autoritários e populistas de todo o mundo estão explorando a natureza humana e os algoritmos de computador para conquistar as urnas, passando por cima das regras elaboradas para garantir eleições livres e justas", completou.

A desinformação foi a tática mais utilizada para afetar as eleições, de acordo com a organização. "Populistas e líderes de extrema direita se tornaram adeptos não apenas da criação de desinformação viral, mas também de alimentar redes que a disseminam", destaca o relatório de 2019.

Em 47 dos 65 países estudados, pessoas foram detidas por suas opiniões políticas, sociais ou religiosas compartilhadas online. Em pelo menos 31 países, internautas foram submetidos a violência física por suas atividades na web.

China x EUA

A China permanece o pior país no ranking de liberdade online pelo quarto ano consecutivo, com aumentos do controle do governo em meio aos protestos em Hong Kong e antes do 30º aniversário do massacre de Tiananmen (Praça da Paz Celestial), indica o relatório.

Nos Estados Unidos, "funcionários e agências de imigração ampliaram a vigilância sobre as pessoas". "Agentes monitoraram com maior frequência plataformas em redes sociais e realizaram buscas sem garantia dos dispositivos eletrônicos dos viajantes para coletar informações sobre atividades constitucionalmente protegidas, como protestos pacíficos e jornalismo crítico", afirma a Freedom House. A desinformação também ganhou força nos Estados Unidos, com foco nas eleições de meio de mandato de 2018.

O ranking

Os países com maiores pontuações são Islândia, Estônia, Canadá, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e Austrália. Na outra ponta, aparecem com as piores pontuações a China, Irã, Síria, Cuba e Vietnã.

Os rankings regionais:

Ásia-Pacífico
• Austrália: 77 pontos
• Japão: 73
• Filipinas: 66
• Coreia do Sul: 64
• Malásia: 57
• Cingapura: 56
• Índia: 55
• Indonésia: 51
• Sri Lanka: 49
• Bangladesh: 44
• Camboja: 43
• Mianmar: 36
• Tailândia: 35
• Paquistão: 26
• Vietnã: 24
• China: 10

África Subsaariana
• África do Sul: 72
• Quênia: 68
• Nigéria: 64|
• Zâmbia: 58
• Malawi: 57
• Uganda: 56
• Gâmbia: 48
• Zimbábue: 42
• Ruanda: 41
• Etiópia: 28
• Sudão: 25

Europa
• Islândia: 95
• Estônia: 94
• Alemanha: 80
• Reino Unido: 77
• França: 76
• Itália: 75
• Hungria: 72
• Turquia: 37

Oriente Médio e norte da África
• Tunísia: 64
• Marrocos: 54
• Líbano: 52
• Líbia: 49
• Jordânia: 47
• Bahrein: 29
• Emirados Árabes: 28
• Egito: 26
• Arábia Saudita: 25
• Síria: 17
• Irã: 15

Eurásia
• Armênia: 76
• Georgia: 75
• Quirguistão: 61
• Ucrânia: 56
• Azerbaijão: 39
• Bielorrússia: 35
• Cazaquistão: 32
• Rússia: 31
• Uzbequistão: 26

Américas
• Canadá: 87
• EUA: 77
• Argentina: 72
• Colômbia: 67
Brasil: 64
• Equador: 61
• México: 60
• Venezuela: 30
• Cuba: 22

Veja o estudo aqui (em inglês).

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