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DOCES E SALGADOS

04/12/2018 08:20 por Redação

Governo francês deverá suspender "imposto ecológico" sobre combustíveis

Os "coletes amarelos", porém, dizem que a decisão não é suficiente e prometem nova manifestação no próximo sábado

O governo francês busca uma saída urgente para a crise política deflagrada pelo movimento dos "coletes amarelos" no país. O primeiro-ministro Edouard Philippe, escalado pelo presidente Emmanuel Macron para negociar com representantes do movimento e partidos políticos, deve anunciar nesta terça-feira (4) uma moratória de vários meses no aumento do imposto sobre os combustíveis. No entanto, os militantes dizem que a decisão não será suficiente e prometem uma nova manifestação no próximo sábado (8).

A “tributação ecológica”, destinada a financiar a transição energética para uma economia de baixo carbono e que deveria entrar em vigor dia 1° de janeiro, previa um aumento de € 0,65 (R$ 2,84) no litro do diesel e € 0,29 (R$ 1,26) no litro da gasolina, mas será suspensa. A decisão foi tomada depois de reunião de emergência entre Macron e Philippe na noite de ontem (3).

As reivindicações dos "coletes amarelos", porém, se intensificam e vão além da suspensão do aumento no imposto sobre os combustíveis, relata a Rádio França Internacional. "Os franceses não querem migalhas, eles querem a baguete inteira", afirma Benjamin Cauchy, um dos líderes do movimento. Ele exige uma revisão geral da tributação na França, a distribuição das riquezas e a realização de referendos sobre as principais questões envolvendo o país.}

O restabelecimento do Imposto Sobre a Fortuna (ISF) - outra reivindicação dos manifestantes - é descartado pelo governo. Por outro lado, segundo economistas próximos de Macron, o governo poderia aumentar os impostos cobrados na transmissão de heranças e nas doações de bens.

Ontem à noite, o presidente francês anunciou um abono excepcional aos policiais, que reivindicam do ministro do Interior a revisão completa do dispositivo de segurança para enfrentar os grupos de vândalos e manifestantes radicalizados, que exigem a renúncia de Macron.

Emergência

O Medef (Mouvement des Entreprises de France, maior entidade patronal francesa) alerta que a França está quase em estado de emergência econômica. Só nos setores de transporte e turismo, as perdas causadas pelos bloqueios dos coletes amarelos a zonas comerciais vão de 20% a 30% no faturamento das empresas.

As reservas de hotéis para as festas de fim de ano em Paris caíram mais de 10%. Já o movimento tende a engrossar, com a adesão de estudantes do ensino médio e agricultores, além dos coletes laranjas, os trabalhadores independentes da construção civil.

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