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04/05/2017 07:42 por Redação

Produção industrial: "Esperamos estabilização nos meses à frente"

Apesar do recuo maior do que o esperado em março, anotado pelo IBGE, índices de confiança do setor sinalizam melhora nos próximos meses

Depec-Bradesco*

A produção industrial frustrou as expectativas ao registar uma queda maior que a esperada em março. Apesar desse resultado, esperamos uma estabilização da produção industrial nos próximos meses, conforme indicado pelos índices de confiança do setor.

A produção industrial recuou 1,8% na passagem de fevereiro para março, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada hoje pelo IBGE. O resultado mostrou uma contração maior do que a esperada pelo mercado (-1,0%, segundo coleta da Bloomberg) e a que projetávamos (-1,3%). Na comparação interanual, a alta de 1,1% acabou revertendo a queda de 0,7% registrada em fevereiro, acumulando expansão de 0,6% no ano. Nos últimos doze meses, no entanto, a produção recuou 3,8%.

Leia: Após a estagnação em fevereiro, produção industrial recuou 1,8% em março.

A queda da produção industrial se deu de forma espalhada, com 15 dos 24 setores pesquisados contribuindo negativamente no período, além de haver contração em todas as categorias de uso. A produção de bens de capital caiu 2,5% revertendo parcialmente a alta de 5,9% em fevereiro. A retração de 8,5% dos bens de consumo duráveis refletiu, principalmente, a redução da produção de veículos automotores, reboques e carrocerias (-7,5%), como já indicado pelos dados da Anfavea. No mesmo sentido, a produção de bens intermediários recuou 2,5% na margem. Na comparação interanual, todas as categorias de uso apresentaram variações positivas, sinalizando alguma estabilização da produção industrial.

Destacamos o crescimento da produção da indústria extrativa, que subiu 7,1% na comparação interanual, explicando parte da retomada da atividade do setor quando comparamos com mesmo período de 2016. A produção no setor, no entanto, ainda permanece abaixo dos níveis registrados antes do acidente em Mariana-MG no final de 2015 e mostrou queda de 1,1% na margem. 

Para 2017, projetamos crescimento de 1,0% da produção industrial, contribuindo positivamente para a recuperação gradual da atividade econômica. De todo modo, é importante ressaltar que a forte expansão do setor agropecuário será o principal determinante para o resultado do PIB deste ano, especialmente para o primeiro trimestre, para o qual projetamos alta de 0,7%. Além disso, reforçando nossa expectativa de estabilidade da produção industrial, os índices de confiança da indústria registraram ligeira alta em abril. A elevação do consumo das famílias a partir do segundo semestre e a redução da taxa de juros também deverão favorecer a retomada a atividade industrial ao longo de 2017, que conta atualmente com a capacidade instalada em níveis de ociosidade elevados em diversos setores.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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