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DOCES E SALGADOS

03/06/2019 07:36 por Redação

Maioria dos usuários do cheque especial é de baixa renda, diz BC

Relatório aponta que 44% das pessoas que recorrem a esta modalidade de crédito ganham até dois salários mínimos; 46,3% têm ensino médio completo

CHEQUE ESPECIAL
A maioria dos usuários do cheque especial no Brasil é da faixa renda mais baixa, de até dois salários mínimos, de acordo com o Relatório de Economia Bancária, do Banco Central.

• Até dois salários mínimos: 44%
• Entre dois e cinco salários: 33,5%
• Entre cinco e dez salários: 13,8%
• Acima de dez salários: 8,8%

Na última semana, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que o cheque especial, com seu custo alto, “penaliza mais a parte da população de renda baixa”. Ele enfatizou a importância da educação financeira para ajudar os superendividados.

“O cheque especial se destaca não apenas por ser um produto com taxas de juros elevadas (média de 312,6% ao ano nas operações concedidas em dezembro de 2018), mas também pelo fato de sua oferta ocorrer de forma praticamente automática nos casos de limite de crédito pré-aprovado”, diz o relatório. “Essas características proporcionam ao usuário maior facilidade, agilidade e conveniência de acesso, ao contrário de outras modalidades de crédito, tais como empréstimos e financiamentos, em que o processo de análise de risco e aprovação geralmente demanda maior tempo. Por outro lado, surge a dúvida se os usuários realmente internalizam, em suas decisões de tomada de crédito, os custos envolvidos nessa conveniência de acesso ao crédito por meio do cheque especial”.

Os dados por escolaridade indicam que os brasileiros com ensino médio completo são os que mais usam o cheque especial.

• Ensino fundamental incompleto: 7,5%
• Fundamental completo: 7,5%
• Ensino médio incompleto: 4,8%
• Médio completo: 46,3%
• A partir de superior incompleto: 34,0%

Valor médio

Em dezembro de 2018, o valor médio de utilização do cheque foi de R$ 1.310, inferior ao registrado em dezembro de 2016 (R$ 1.410) e em dezembro de 2017 (R$ 1.359). Em dezembro de 2018, o gasto médio mensal com juros ficou em R$ 136, valor 5,9% superior ao registrado em dezembro de 2017 (R$ 128,40).

Em relação à recorrência na utilização do cheque especial, ao longo de 2018, 19,5% do total de usuários do período utilizaram o cheque especial em todos os 12 meses do ano. Mais de 50% dos usuários desse instrumento tomaram esse crédito em mais de seis meses. Os que utilizaram somente uma vez no ano correspondem a 12,2% do total de usuários.

Inadimplência

Em dezembro de 2018, o saldo total do cheque especial totalizou R$ 21,98 bilhões, dos quais R$ 3,38 bilhões estavam inadimplentes. Esse nível de inadimplência de 15,36% é bem superior à média do total de operações de crédito para pessoas físicas (3,25%). Aproximadamente 16,8% dos usuários de cheque especial estavam inadimplentes em pelo menos um produto de crédito e 8,8% estavam inadimplentes no próprio cheque especial.

“Os percentuais de inadimplência caem quanto maiores os níveis de escolaridade, de renda e idade dos tomadores. Uma vez que baixa escolaridade e baixa renda estão interligadas, é difícil saber se a maior inadimplência é resultado do não entendimento das características do produto (questão educacional) ou do seu custo elevado (questão de renda) ou ainda de uma combinação dos dois”., diz o relatório do BC.

Participação no crédito

Segundo o BC, o cheque especial tem “participação modesta” na carteira de crédito do sistema bancário, com menos de 1% do total, mas foi responsável por aproximadamente 10% da margem de juros líquida (descontada a provisão para inadimplência).

“Por outro lado, mesmo existindo a possibilidade de redução de margens de juros por parte das instituições financeiras, enfatiza-se a importância de os usuários bancários adequarem a utilização do cheque especial ao perfil emergencial dessa modalidade, tendo consciência dos custos gerados diante de suas características e, sempre que possível, selecionar alternativas de crédito “não rotativo”, orienta o BC.

Acesse o Relatório de Economia Bancária do BC aqui.

Com Agência Brasil

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