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03/05/2016 12:43 por Redação

Queda da produção industrial deve ser menos intensa este ano

Números de março sinalizam que declínio do setor ficará em linha com o desempenho do PIB

A produção industrial cresceu 1,4% na passagem de fevereiro para março, excetuada a sazonalidade, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada hoje pelo IBGE. O resultado ficou em linha com a nossa projeção e com a mediana das expectativas do mercado, ambas de 1,5%, conforme coleta da Bloomberg. Vale destacar que a elevação foi insuficiente para reverter o recuo de 2,7% observado no mês anterior, de acordo com os dados revisados. Na comparação interanual, a atividade industrial caiu 11,4%, acumulando retração de 9,7% nos últimos doze meses.

Leia: Após o recuo em fevereiro, produção industrial cresceu 1,4% em março.

Setorialmente, o avanço da produção refletiu o desempenho positivo em 12 dos 24 segmentos pesquisados, com destaque para a fabricação de produtos alimentícios, cuja alta de 4,6% na margem eliminou o recuo de 2,1% acumulado entre janeiro e fevereiro. No mesmo sentido, máquinas e equipamentos e produtos farmoquímicos e farmacêuticos avançaram 8,5% e 8,6%, nessa ordem. Em contrapartida,  o ramo de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis recuou 6,5% entre o segundo e o terceiro mês deste ano.

A expansão de 1,4% da produção total foi impulsionada pela elevação de todas as categorias de uso na margem, com destaque para os bens de capital, que cresceram 2,2% entre fevereiro e março, marcando, assim, a terceira variação positiva. Os bens de consumo duráveis e não duráveis apresentaram avanço de 0,3% e 0,9%, respectivamente, enquanto a produção de bens  intermediários teve modesta alta de 0,1%.

A despeito da volatilidade mensal dos resultados da indústria? com crescimento em março, após forte queda em fevereiro?, reconhecemos os sinais mais favoráveis da atividade econômica. A partir de fevereiro/março deste ano, começaram a aparecer indicações de alguma estabilização. Inicialmente, os indicadores que apontavam para estabilização refletiam em grande parte a melhora dos preços de ativos (fechamento da curva de juros, queda do risco país, apreciação cambial, etc). De lá para cá, houve uma ampliação moderada do conjunto desses indicadores, agora menos correlacionados com os preços de ativos e mais com a economia real.

Mesmo assim, o ajuste em curso da economia sustenta nossa expectativa de nova de queda da produção industrial em 2016, em linha com o desempenho do PIB, embora menos intensa do que a verificada no ano passado. Vale ainda lembrar que os indicadores de confiança continuam apresentando sinais de melhora na margem, mas ainda se encontram em patamar reduzido. Além disso, é necessário que a redução dos estoques também se mantenha, de forma a estimular maior produção à frente. Assim, estimamos que o PIB deva contrair 0,8% no primeiro trimestre e 0,5% no segundo, voltando à estabilidade apenas no segundo semestre.

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