Home > DOCES E SALGADOS > Começa em Madri a 25ª conferência do clima da ONU, COP25

DOCES E SALGADOS

02/12/2019 10:32 por Redação

Começa em Madri a 25ª conferência do clima da ONU, COP25

Evento, que irá até o dia 13, reúne representantes de 196 países - entre eles, cerca de 50 chefes de Estado e de governo

O secretário-geral da ONU, António Guterres, e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, abriram hoje, em Madri, a COP25 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2019), que irá até o dia 13. O evento reúne representantes de 196 países - entre eles, cerca de 50 chefes de Estado e de governo.

Inicialmente, a COP 25 estava prevista para ocorrer no Brasil, mas o compromisso foi cancelado logo que o presidente Jair Bolsonaro tomou posse, em janeiro. O Chile se ofereceu para sediar a conferência, mas desistiu no mês passado, em razão da instabilidade política que tomou conta do país após a eclosão de protestos populares contra as reformas neoliberais do governo de Sebastián Piñera. O governo espanhol candidatou-se então para abrigar o evento, o que foi aceito pela ONU. A presidência da COP25 permanece com o Chile, na pessoa da ministra do Meio Ambiente, Carolina Schmidt.

O jornal espanhol El País comenta que a cúpula ocorre em meio a uma imensa falta de liderança internacional na luta climática e em um péssimo momento para o multilateralismo. O diário madrilenho observa que Donald Trump já iniciou o processo para retirar os EUA do Acordo de Paris, a China não dá sinais de que irá aumentar seus planos de corte de gases de efeito estufa, a Rússia não apresentou à ONU seu programa para reduzi-los, e os países da União Europeia ainda não conseguiram entrar em consenso sobre a meta de zero emissões para 2050.

“Por isso a chamada COP25 deveria ser realizada, para fugir da sensação de que a luta climática internacional é um ‘processo que implode’, como disse na semana passada a ministra para a Transição Ecológica da Espanha, Teresa Ribera”, escreve o El País.

Impactos

Em nota, a secretária-executiva da Convenção da ONU sobre Mudança Climática, a diplomata mexicana Patrícia Espinosa, lembrou que no último ano foi possível “ver os impactos acelerados da mudança climática, com secas crescentes, tempestades e ondas de calor.” Segundo ela, esses fenômenos tiveram “consequências terríveis para a erradicação da pobreza, saúde humana, migração e desigualdade.”

Espinosa afirmou que "a pequena janela de oportunidade do mundo para lidar com as mudanças climáticas está se fechando rapidamente.” Para ela, “é necessário implantar, com urgência, todas as ferramentas da cooperação multilateral e tornar a COP25 a plataforma de lançamento de mais ambição climática.”

Agenda

Um dos principais objetivos do encontro é concluir vários aspectos importantes da operacionalização do Acordo de Paris. No ano passado, na COP24, na Polônia, os países-membros concordaram com a maior parte dessas regras. No entanto, ainda é preciso concluir a negociação sobre o Artigo 6, que determina como funcionarão os mercados internacionais de clima.

Outros temas na agenda são adaptação, perdas e danos, transparência, finanças, capacitação, questões indígenas, oceanos, florestas e gênero. Também será discutido o fornecimento de financiamento e tecnologia para países em desenvolvimento.

Sobre esse tema, Espinosa pediu aos Estados-membros que cumpram a promessa de atribuir US$ 100 bilhões anualmente aos países em desenvolvimento para que estes façam investimentos na área do clima.

Brasil

A exemplo do presidente dos EUA, Donald Trump, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, não estará presente no evento na Espanha. Sob crescente pressão internacional em razão do aumento do desmatamento na Amazônia, o governo brasileiro é representado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Bolsonaro tem criado polêmicas com ambientalistas e chefes de Estado desde a campanha eleitoral de 2018, assinala a BBC. Nos últimos dias, o presidente brasileiro foi mencionado pela imprensa internacional em razão de acusação que fez ao ator norte-americano Leonardo DiCaprio na última quinta-feira (28). Sem qualquer vestígio de prova, Bolsonaro afirmou que o ator, com suas doações a ONGs ambientalistas, “financia as queimadas na Amazônia”. DiCaprio rebateu o desatino em uma nota à imprensa.

Nesta segunda-feira, o diário econômico francês Les Echos publica um artigo da escritora e historiadora francesa Laurence Debray, filha do filósofo marxista Regis Debray, sob o título “Bolsonaro não poderá imitar Trump”. O texto avalia que, por razões econômicas, é muito pouco provável que ele saia do Acordo de Paris, como fez o presidente americano.

“Como Donald Trump, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro não acredita no aquecimento global. Enquanto 9.000 quilômetros quadrados de floresta amazônica brasileira - o equivalente a Chipre - se tornaram fumaça no verão passado, ele disse em setembro, antes da Assembleia Geral da ONU: ‘É um erro dizer: como dizem os cientistas, nossas florestas são os pulmões do mundo’”, diz o artigo.

“Agora que o clima se tornou uma questão global, Jair Bolsonaro precisa enfrentar os interesses econômicos do Brasil. Provocações demais, como o abandono do Acordo de Paris, poderiam pôr em causa a ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Dado o peso das exportações para a Europa, ele ainda não se atreveu a avançar no tema”.

Leia mais: Emissões de CO2 precisam cair 7,6% ao ano até 2030, alerta ONU.

'
Enviando