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02/06/2015 12:17 por Redação

Queda da produção industrial em abril foi puxada por bens de capital

Com o resultado do quarto mês do ano, estimamos que a produção industrial deverá recuar 4,0% em 2015

Depec-Bradesco*

A produção industrial brasileira recuou 1,2% na passagem de março para abril, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada hoje pelo IBGE. Esse resultado veio em linha com nossas expectativas e acima da mediana do mercado, que esperava contração de 1,4% (segundo coleta da Agência Estado). Em relação ao mesmo mês de 2014, houve retração de 7,6%. Com isso, a produção industrial acumulou queda de 4,8% nos últimos doze meses.

Na terceira queda mensal consecutiva, produção industrial recuou 1,2% em abril.

A desagregação do resultado de abril revela que o desempenho negativo ocorreu de forma generalizada, em 19 dos 24 ramos pesquisados. A principal influência veio de veículos automotores, reboques e carrocerias, cuja produção recuou 2,5% na margem, assim como apontado pelos indicadores da Anfavea. Com isso, a produção de veículos automotores acumula queda de 21,9% nos últimos sete meses. Ademais, contribuiu para o resultado a queda na fabricação de perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza, com retração de 3,3%. Destaque negativo também para a fabricação de outros equipamentos de transporte (-8,5%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-3,2%) e máquinas e equipamentos (-1,2%). Em sentido contrário, as produções da indústria extrativa e coque e derivados do petróleo e biocombustíveis expandiram 1,5% nos dois casos.

Na abertura por categorias de uso, o destaque negativo ficou com a queda de 5,1% da produção de bens de capital na margem e de 24,0% na comparação interanual. O resultado está alinhado com a redução em curso dos investimentos no País. As produções de bens duráveis e de semi e não duráveis também registraram queda na margem, de 1,8% e 2,2%, respectivamente. Por fim, a fabricação de bens intermediários recuou 0,2%.

De modo geral, acreditamos que o resultado da indústria em abril reforça a trajetória de enfraquecimento do setor observada, especialmente, desde o ano passado. Os desafios da indústria continuam elevados neste início de ano, diante dos estoques em patamar elevado e das pressões de custo que têm mantido a confiança do empresariado em níveis muito baixos. Ajustes em importantes cadeias, como construção, óleo e gás e a automotiva, deverão também limitar o desempenho da indústria neste ano.

Em suma, tal desempenho reforça nosso cenário de retração de 1,0% do PIB neste trimestre, após queda de 0,2% observada nos três primeiros meses do ano, como conhecido na semana passada. Dessa forma, para 2015 como um todo, projetamos contração de 1,7% da economia brasileira e de 7,0% dos investimentos, enquanto a produção industrial deverá recuar 4,0% no ano.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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