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02/05/2019 08:16 por Advillage

Em audiência por videoconferência, Assange diz que recusa extradição aos EUA

Justiça americana quer processar o ativista por conta da divulgação, em 2010, de centenas de milhares de documentos confidenciais

O jornalista e ativista australiano Julian Assange, de 47 anos, fundador do WikiLeaks, preso em Londres, declarou nesta quinta-feira (2) em um tribunal londrino que se oporia à sua extradição para os Estados Unidos. Questionado em uma audiência no Tribunal de Magistrados de Westminster se concordaria em ser extraditado para os EUA, Assange, em chamada de vídeo a partir de um presídio britânico, disse que não se renderia à medida.

A Justiça americana quer processar Assange por “pirataria informática” por conta da divulgação, em 2010, de centenas de milhares de documentos confidenciais. Entre eles estão os relatórios militares do Afeganistão e no Iraque e várias notas diplomáticas. Ele pode ser condenado a cinco anos de prisão. “Não há garantia de que não haverá novas acusações em solo americano", afirmou o editor do WikiLeaks, Kristin Hrafnsson.

Segundo a Reuters, o caso foi adiado até 30 de maio para uma nova audiência seguida por outra sessão programada para 12 de junho. A audiência integral de extradição deve demorar alguns meses para acontecer, de acordo com a corte.

Julian Assange foi detido no dia 11 de abril pela polícia britânica na embaixada do Equador em Londres, onde estava refugiado desde 2012. A entrada dos policiais foi autorizada pelo governo equatoriano, que mudou de mãos desde que o ativista recebeu asilo, há sete anos. Em 2012, ele se refugiou na representação diplomática do país sul-americano para não ser extraditado à Suécia, onde ele foi acusado de estupro num caso posteriormente arquivado.

Prisão

Sua prisão no mês passado criou temor entre seus partidários, que condenaram a decisão de Quito de retirar seu asilo político, assinala a Rádio França Internacional. O presidente equatoriano, Lenín Moreno, justificou sua decisão dizendo que Assange teria tentado criar um "centro de espionagem" na embaixada.

No Reino Unido, o caso divide a opinião pública. A oposição trabalhista pediu ao governo que se oponha à solicitação dos Estados Unidos, dizendo que Julian Assange contribuiu a "expor evidências das atrocidades cometidas no Iraque e no Afeganistão", atribuídas aos militares americanos.

O governo conservador britânico, por sua vez, se refere a Assange como um criminoso como qualquer outro. "Ninguém está acima da lei", disse a primeira-ministra Theresa May, enquanto o chanceler Jeremy Hunt afirmou considerar que o australiano "não é um herói".

Precedente perigoso

A advogada de Assange, Jennifer Robinson, anunciou que seu cliente irá "contestar e combater" o pedido de extradição americano, considerando que sua prisão "cria um precedente perigoso para os meios de comunicação e jornalistas" em todo o mundo.

De acordo com o advogado especializado em extradições Ben Keith, este cenário  é improvável. Ele lembra que há “uma proteção específica da lei internacional em matéria de extradição que impede que alguém seja processado com acusações adicionais". Segundo ele, a batalha judicial pode durar entre 18 meses e dois anos.

50 semanas de prisão

Nesta quarta-feira (1º), Julian Assange foi condenado por um tribunal britânico a passar 50 semanas na prisão por não ter comparecido à Justiça, depois de sair sob fiança, ao se esconder na embaixada do Equador em Londres. Sua defesa argumentou que se tratou de um ato de desespero para evitar ser encaminhado aos Estados Unidos.

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