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DOCES E SALGADOS

02/05/2019 07:29 por Redação

"Justiça busca responsáveis pela tentativa de golpe", diz Maduro em Caracas

Em discursos na rua e na TV, presidente venezuelano sinaliza que tribunais participarão da reação à frustrada revolta militar na terça-feira

Em pronunciamento transmitido pelo rádio e pela TV, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu nesta quinta-feira (2) às Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) “coesão para a defesa da Constituição, democracia e paz” no país. Maduro destacou a “lealdade dos soldados venezuelanos” e afirmou que “setores direitistas tentaram impor um novo governo através do uso de armas e com o apoio dos Estados Unidos”.

Ontem, durante ato público em Caracas, o mandatário discursou que “a oposição venezuelana, apoiada pelos americanos, nunca entendeu que existe um povo disposto a defender o país e uma união cívico-militar inquebrantável”. Disse ainda que as tentativas de golpe começaram em 2002 com o presidente Hugo Chávez e sempre foram derrotadas. "Eles não puderam nem poderão conosco em nenhuma circunstância”.

Maduro informou que a Justiça busca os responsáveis pela revolta militar que foi contida na terça-feira (30) pelo governo, e que eles, "mais cedo ou mais tarde", pagarão com a prisão pelo crime de traição, provavelmente se referindo ao líder oposicionista Leopoldo López e aliados. "Estão fugindo de embaixada em embaixada", disse o chefe de governo diante de milhares de simpatizantes, que se reuniram nos arredores do Palácio Presidencial de Miraflores para celebrar o 1º de Maio.

"Aqui não serão as balas nem os fuzis que irão impor um presidente marionete em Miraflores, é absolutamente inviável", afirmou Maduro. "Nos próximos dias, mostrarei todas as provas de quem conspirou e como conspirou para que o povo saiba quem são os traidores e que a Justiça faça a sua parte".

Ofensiva da oposição

Segundo a Agência Brasil, López burlou a pena de quase 14 anos que cumpria em seu domicílio. Ele apoiou as ações do presidente do Parlamento venezuelano, Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino, que exortou os militares a se voltarem contra Maduro. Durante a manhã dessa quarta-feira, o opositor compareceu a várias concentrações da oposição e depois se refugiou na embaixada da Espanha em Caracas.

As palavras de Maduro também faziam alusão a Guaidó, que liderou as manifestações da oposição desde terça-feira. A Justiça venezuelana tem duas linhas de investigação contra o líder do Parlamento: uma por ter proclamado um governo interino e outra pelos apagões que deixaram quase todo o país paralisado e às escuras em março passado.

Maduro também acusou o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, de ter conduzido pessoalmente a revolta de “uns 20 militares”, que classificou de "escaramuça golpista". "Assim denuncio e peço que se averigue nos Estados Unidos as ações ilegais e golpistas de John Bolton contra a democracia venezuelana".

Governo paralelo

Juan Guaidó, por sua vez, afirmou que continuará libertando os presos políticos, depois que intercedeu pela libertação de López. "Vamos seguir libertando os presos políticos, (como) Juan Requesens, Gilber Caro", disse o líder oposicionista diante de centenas de simpatizantes, no leste de Caracas, próximo a Petare, a maior favela do país.

"Estamos mais fortes, mais determinados", insistiu o deputado, no dia seguinte à tentativa fracassada de uma revolta militar. Em discurso aos seus seguidores, Guaidó anunciou que os trabalhadores públicos venezuelanos estão iniciando uma “greve escalonada”, até chegar a uma paralisação geral no país. " Todos os setores vão se integrar nesse processo", garantiu.

Violência

Os protestos dessa quarta-feira (1º) na Venezuela levaram à morte de Jurubith Betzabeth Rausseo Garcia, de 27 anos. Ela chegou a ser levada a uma clínica, mas não resistiu aos ferimentos na cabeça causados por uma bala perdida. A informação é da organização não governamental Observatório Venezuelano de Conflito Social. Foi a segunda morte confirmada desde terça, quando o jovem Samuel Méndez, de 24 amos, perdeu a vida após participar de protestos no estado de Aragua.

Nos dois dias, forças de segurança leais a Maduro reprimiram os atos com bombas de gás lacrimogêneo e caminhões de água. Carros blindados chegaram a avançar sobre manifestantes desarmados.

Juan Guaidó confirmou a morte da jovem em sua página no Twitter. “Comprometo-me a fazer com que a morte de Jurubith Rausseo, de apenas 27 anos, numa sala de cirurgia, pese a quem decidiu disparar contra um povo que decidiu ser livre”, escreveu.

O segundo dia consecutivo de manifestações teria ainda deixado quase 50 pessoas feridas; de acordo com o Serviço Municipal de Saúde, todas estão fora de perigo. As manifestações poderão continuar hoje.

Crise

A Venezuela vive forte tensão política desde janeiro deste ano, quando Maduro tomou posse de um novo mandato obtido nas urnas em maio do ano passado. O governo não é reconhecido pela oposição e por parte da comunidade internacional. Guaidó se autoproclamou presidente de um governo interino que conta com o apoio de mais de 50 países.

Paralelamente, o país sul-americano vive a pior crise econômica de sua história, o que gera protestos diários para denunciar a escassez severa de alimentos e remédios e a precária prestação de serviços públicos.

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