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01/02/2019 10:39 por Redação

Sinais mistos de atividade sugerem crescimento moderado nos próximos meses

Análise de Conjuntura do Depec-Bradesco*

Os indicadores de atividade divulgados nesta semana trouxeram sinais mistos acerca do desempenho da economia no final do ano passado, fortalecendo nossa expectativa de crescimento ainda moderado nos próximos meses. Por um lado, a produção industrial subiu 0,2% em dezembro, acima da nossa projeção e das expectativas do mercado. Apesar disso, a ligeira melhora do setor no último mês de 2018 foi insuficiente para que o crescimento da atividade industrial no ano passado (1,1%) superasse a alta observada em 2017. Além disso, a recuperação do mercado de trabalho tem se mostrado bastante gradual, conforme apontado pela Pnad Contínua. A despeito da melhora do emprego formal, ilustrada pelos dados do Caged, a taxa de desemprego apresentou ligeira alta, ao passar de 12,1% para 12,2% entre novembro e dezembro, em termos dessazonalizados.

Por outro lado, a melhora da confiança industrial e o desempenho positivo do mercado de crédito sugerem retomada da economia um pouco mais intensa. A leitura final da Sondagem da Indústria mostrou avanço da confiança mais forte, impulsionada pela alta do componente de expectativas, que deverá se traduzir em crescimento à frente. Ademais, a carteira de crédito registrou expansão de 5,5% em 2018, com importante aceleração nos últimos dois meses do ano, acompanhada de menores taxas de inadimplência.

Os dados referentes ao setor externo seguiram favoráveis, enquanto as contas públicas registraram menor déficit em comparação a 2017. Em dezembro, o déficit externo permaneceu em patamar confortável e o Investimento Direto no País (IDP) continuou bastante positivo. O saldo em conta corrente foi negativo em US$ 14,5 bilhões em 2018 (o equivalente a 0,77% do PIB), mais do que compensado pelo IDP, que registrou entradas de US$ 88 bilhões no período. O resultado primário do Governo Central, por sua vez, foi deficitário em R$ 120,3 bilhões no ano passado, ficando abaixo da meta estipulada e do observado em 2017. O dado refletiu, em grande medida, o cumprimento do teto de gastos e a arrecadação de receitas extraordinárias. No mesmo sentido, o setor público como um todo apresentou déficit de R$ 108,3 bilhões em 2018, fazendo com que a relação dívida bruta/PIB chegasse a 76,7% no final do ano passado.

Fed sinalizou para possível interrupção do ciclo de normalização monetária. A taxa de juros norte-americana permaneceu inalterada no intervalo de 2,25% e 2,50% ao ano. A autoridade monetária reconheceu alívio no cenário de inflação e aumento da incerteza com cenário global, apesar de ainda avaliar que o ritmo de crescimento da atividade do país tem se mostrado sólido. Também foi discutida a possibilidade de alteração da velocidade de redução de seu balanço patrimonial. Além disso, o mercado de trabalho norte-americano manteve-se aquecido em janeiro, com gradual elevação dos salários. O cenário externo de manutenção de liquidez ampla traz algum alívio às economias emergentes, diante dos riscos de desaceleração do comércio e da atividade globais.

Os resultados do PIB da Área do Euro e do índice PMI da indústria de transformação reforçaram a percepção de desaceleração da atividade do bloco. A economia da região cresceu 0,2% no quarto trimestre de 2018, mesmo ritmo observado no trimestre anterior, enquanto a leitura final do índice PMI industrial de janeiro sugere moderação da atividade do setor no período. No Reino Unido, a votação do novo plano para o Brexit reduziu a probabilidade de uma saída desordenada da União Europeia. Ademais, o índice PMI industrial chinês registrou ligeiro avanço entre dezembro e o mês passado, embora permaneça abaixo do nível neutro de 50 pontos.

Perspectiva semanal

Decisão de política monetária e resultado do IPCA de janeiro serão os destaques da agenda doméstica. Esperamos manutenção da taxa Selic em 6,50%, diante do cenário de inflação bastante comportada. Essa avaliação deverá ser confirmada pelo resultado do IPCA de janeiro, para o qual projetamos alta de 0,33%. É provável que o Banco Central reavalie o balanço de riscos para inflação prospectiva, considerando-o equilibrado.

No exterior, os resultados finais dos índices PMI composto de janeiro e a possível divulgação dos dados de balança comercial e atividade dos EUA estarão no radar. Os indicadores antecedentes deverão confirmar a desaceleração da economia global, ao passo que as informações acerca da economia norte-americana, não divulgadas anteriormente por conta da paralisação do governo, poderão ser conhecidas ao longo da semana.|

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* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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